Grupo francês de Bernard Arnault ofereceu 14,5 bilhões de dólares pela Tiffany. A possibilidade do negócio fez ações da joalheria subirem mais de 30%.

Uma notícia divulgada neste fim de semana pode revirar o mercado de luxo mundial. O grupo francês LVMH, dono de marcas como Louis Vuitton e Dior, fez uma oferta para comprar a americana Tiffany, maior joalheria do mundo. A informação foi inicialmente divulgada pela agência Reuters e confirmada nesta segunda-feira 28 pelo LVMH.

A oferta do LVMH foi de 14,5 bilhões de dólares, ou 120 dólares por ação. Em comunicado, o grupo diz que iniciou “conversas preliminares” com a Tiffany, mas que não há “nenhuma certeza de que as negociações serão concluídas com êxito”. A agência AFP afirmou que a oferta foi feita no início de outubro. O jornal britânico Financial Times diz ainda que a Tiffany deve rejeitar a oferta, de acordo com pessoas próximas à negociação.

O valor oferecido pelo grupo francês seria pouco mais de 20% maior do que o preço em que ação da Tiffany fechou na última sexta-feira 25, 98,55 dólares. Mas ao longo desta segunda-feira, com a perspectiva do negócio, o valor da ação da Tiffany passou a oferta do LVMH: o papel subiu mais de 30% ao longo de todo o dia e fechou em alta de 31,6%, valendo 129,72 euros.

Apesar do valor da ação já estar próximo à oferta do LVMH, a animação dos investidores vem do potencial de crescimento da joalheria norte-americana sob o guarda-chuva do grupo francês, diz Abelardo Marcondes, fundador do LuxuryLab Global, consultoria especializada em mercado de luxo.

Embora seja uma gigante mundial do luxo, a Tiffany faturou 4,4 bilhões de dólares no ano passado, pouco comparado aos 46,8 bilhões de euros do grupo LVMH (ou 51,9 bilhões de dólares). A Tiffany vale 15,7 bilhões de dólares na bolsa de Nova York (a NYSE), enquanto o LVMH tem valor de mercado de 192,3 bilhões de euros em Paris.

O grupo francês é dono de mais de 70 marcas de luxo em diversos segmentos, como jóias, roupas, perfumes e acessórios, e está presente em mais de 4.000 lojas mundo afora, incluindo o segmento de varejo de lojas de luxo, como com as lojas de maquiagem Sephora.

A LVMH já comprou em 2011 a merca de jóias italiana Bulgari por 3,7 bilhões de euros, em um negócio que seu controlador, Bernard Arnault, chamou de “transformacional”. Fundada em 1881, a Bulgari diversificou o portfólio de produtos de luxo da LVMH e, unindo seu renome à grande cadeia do grupo francês, conseguiu expandir sua atuação em mercados emergentes e na Ásia. “A Bulgari conseguiu se desenvolver muito bem sob controle da LVMH. A expectativa é que a Tiffany possa seguir o mesmo caminho”, diz Marcondes, do LuxuryLab Global.

Puxado pela Bulgari, o segmento de relógios e jóias do LVMH teve alta de mais de 30% nos lucros operacionais em 2018, ante alta geral de 12% do LVMH. O LVMH também vem expandindo sua atuação na Ásia, sobretudo na China, que, em vista de seu alto crescimento econômico, tornou-se a galinha dos ovos de ouro do mercado de luxo no mundo.

Assim, pelo lado da Tiffany, a parceria com o LVMH poderia ajudá-la a expandir sua atuação para novos mercados fora dos Estados Unidos, sua terra-natal. Já o LVMH poderia usar a Tiffany para intensificar sua participação no segmento de jóias e, sobretudo, entrar com mais força nos Estados Unidos — mercado onde o desemprego está baixo há quase uma década e a classe média forte pode ser alavancar o faturamento.

Fonte: https://exame.abril.com.br